
Há muito, muito tempo (naquele em que o meu pai ainda comprava livros, e não se limitava a ler os que eu compro agora!!!), o meu pai comprou um livro maravilhoso chamado: "Manual de Sobrevivência", das Publicações Europa-América.
Era um dos meu livros preferidos quando era miúda. Podem achar estranho, e podem até rir à gargalhadas, mas com as imagens deste maravilhoso manual, aprendi mais acerca de sobrevivência, do que eu todos os anos que andei na escola. Foi talvez aqui que ganhei gosto pelas estrelas e constelações, pelas plantas que nos rodeiam, e que ouvi falar pela primeira vez da famosa manobra de Heimlich. Aquilo que agora é um dado adquirido, na minha mente infantil era um desafio e uma aprendizagem constante, sem qualquer aborrecimento.
Um destes dias reencontrei-me com ele de novo, enquanto olhava para a prateleira dos livros do meu pai. Ao abri-lo numa página ao acaso, descobri uma coisa maravilhosa, que não resisto a partilhar com vocês.
«Dente-de-Leão - Esta planta é um potencial salva-vidas nas regiões polares. Quer as folhas, quer as raízes, podem ser comidas ao natural, mas sabem melhor depois de levemente fervidas. As raízes de dente-de-leão podem também ser usadas como substituto do café. Para as preparar, limpe as raízes, divida-as ao meio e corte-as em pequenos pedaços. Asse-as e depois rale-as entre duas pedras. Trate o pó como se fosse café.»
Sei que a probabilidade de nos perdermos numa estepe glacial é relativamente pequena (quase impossível mesmo, ao ritmo com que o gelo desaparece!), mas a verdade é que não deixa de ser curioso e bastante engraçado.
Eu passei horas agarrada a este livro. Não admira que gostasse de brincar aos soldados perdidos no mato (leia-se "pátio da avó") e o meu sonho fosse ter um canivete suiço como o do MacGyver...