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Charles Dickens

Estreia Segunda-Feira dia 19 às 22:30 no Canal 2, a série da BBC "Bleak House" - Casa Sombria, uma adaptação do romance de Charles Dickens de 1852/52 com o mesmo nome.

Apesar deste ser um blog de livros, já aqui uma vez referi uma série da BBC (Orgulho e Preconceito) que ocupa um lugar muito especial no meu coração, pelo facto de ser uma excelente adaptação do livro de Jane Austen, e volto a insistir nesta matéria simplesmente porque às vezes não apetece ler, mas sim ficar no escuro, enroscadinha no sofá, a apreciar um bom momento de entretenimento!

«"Casa Sombria" é uma excelente série de época que retrata os mais diversos estratos sociais da Inglaterra Vitoriana. Adaptada magistralmente pelo aclamado argumentista Andrew Davies, de um dos mais complexos romances do imortal Charles Dickens, a acção gira em torno do caso Jarndyce vs. Jarndyce, uma disputa de família sobre um testamento que passou pelos tribunais durante gerações. Dois órfãos, Richard Carstone e Ada Clare vão viver para Bleak House com o seu tutor, John Jarndyce. Junto com eles está Esther Summerson, outra criança cuja paternidade é um mistério. Enquanto isso a bela Lady Deadlock vê o seu elegante mundo ficar de pernas para o ar quando o advogado do seu marido, Mr. Tulkinghorn, desvenda um mistério do seu passado começando um terrível jogo do gato e do rato que só termina com a sua destruição.As vidas de Esther e dos dois jovens órfãos, tomam rumos inesperados: Richard e Ada apaixonam-se e o bondoso John Jarndyce fica cada vez mais ligado aos seus companheiros.Contudo, todos eles vão ser tocados pela tragédia, enquanto Mr. Tulkinghorn investiga a história escandalosa de um amor proibido que irá modificar as suas vidas para sempre! » RTP

«Charles John Huffam Dickens 1812/1870), foi o mais popular dos romancistas ingleses da era Vitoriana. A fama dos seus romances tanto durante a sua vida como depois, até aos dias de hoje, pode ser comprovada pelo facto de todos os seus livros continuarem a serem editados. Apesar destes não serem considerados, pelos parâmetros actuais, muito realistas, Dickens contribuiu em grande parte para a introdução da crítica social na literatura de ficção inglesa.»

«Em Bleak House, Dickens joga com dezenas de personagens de várias histórias paralelas, e oferece-nos um vasto painel da sociedade inglesa do Século XIX, desde os mais altos círculos da nobreza até as crianças abandonadas que vagueavam pelas ruas sombrias da Londres de então.
Todo esse universo humano gira em torno de um processo judicial que, arrastando-se durante muitos anos, perdeu qualquer sentido e transformou-se, no dizer de um dos personagens, num "monumento ao sistema judicial inglês" - ao que ele tinha de absurdo e desumano.
Vamos encontrar também nestas páginas algumas das criações mais impressionantes da extensa galeria de personagens dickensianos, e alguns dos seus mais emocionantes casos de amor.
Este livro ocupa um lugar de destaque entre os grandes clássicos da arte da narração.»

«Pela magistral combinação das histórias paralelas, que se entrecruzam em determinados momentos para tecer o desenho mais amplo do conjunto do enredo, pela habilidade com que doseia o crescendo dramático, Dickens realiza um romance que os especialistas consideram o mais perfeito de sua extensa obra. Wikipédia

"Casa Sombria" é um libelo contra a corrupção e a ineficiência do sistema jurídico inglês.»

“Bleak House não é com certeza o melhor livro de Dickens, mas é certamente o seu melhor romance!” Gilbert Keith Chesterton

Para uma investigação mais apurada desta série, o site da BBC disponibiliza informações sobre o elenco, as críticas e muitos outros aspectos como por exemplo Quizz Tests sobre a mesma!

No que diz respeito a Charles Dickens, recomendo um site muito engraçado com todas as personagens das obras do autor (mais de 400!!!) e outro com todas as obras do autor (em formato HTML, para os curiosos que queiram dar uma espreitadela ao "Casa Sombria" antes de verem a série!)

A mim só me resta esperar por segunda-feira! Afinal, talvez não seja assim um dia tão mau!
(Mal posso esperar para ver a Gillian Anderson, porque o desempenho dela no filme "A Casa da Felicidade" baseado no livro "The House of Mirth" de Edith Wharton é fantástico!)
Os créditos das imagens pertencem ao já referido site da BBC sobre a série.

Quase que nos esqueciamos deste ABC, que ao contrário do ABC da Literatura no Feminino demorou um bocadinho a aparecer neste Blog! Mas cá está ele: das personagens mais arrebatadoras às mais insignificantes, das mais apaixonantes às mais desprezíveis, e das mais modernas às mais clássicas!

Almásy, Laszlo (O Paciente Inglês, Michael Ondaatje)
Armand Duval (A Dama das Camélias, Alexandre Dumas Filho)

Brandão, Afonso (A Filha do Capitão, José Rodrigues dos Santos)
Bell, Finnegan (Grandes Esperanças, Charles Dickens)

Carlos Eduardo da Maia (Os Maias, Eça de Queirós)

Cal Trask (A Leste do Paraíso, John Steinbeck)
Collins, Mr (Orgulho e Preconceito, Jane Austen)

Delmar, Ennis (O Segredo Brokeback Mountain, Annie Proulx)
Darnell, Larry (O Fio da Navalha, Somerset Maugham)

Edmond Dantes (O Conde de Monte Cristo, Alexandre Dumas)
Edward Ferrars (Sensibilidade e Bom Senso, Jane Austen)
Edgar Drake (O Afiador de Pianos, Daniel Mason)

Fitzwilliam Darcy (Orgulho e Preconceito, Jane Austen)
Florentino Aziza (Amor nos Tempos de Cólera, Gabriel Garcia Márquez)

Guilherme de Baskerville (O Nome da Rosa, Umberto Eco)

Harry Potter (Harry Potter, J.K.Rowling)
Heatclif (O Monte dos Vendavais, Emily Brontë)
Henrik (As Velas Ardem até ao Fim, Sándor Márai)
Holden Caulfield (À Espera no Centeio, J.D.Salinger)
Humbert (Lolita, Vladimir Nabokov)

Jay Gatsby (O Grande Gatsby, F. Scott Fitzgerald)

Konrád (As Velas Ardem até ao Fim, Sándor Márai)
Kelvin, Chris (Solaris, Stanislaw Lem)

Lawrence Selden (A Casa da Felicidade, Edith Wharton)
Luis Bernardo Valença (Equador, Miguel Sousa Tavares)

Maurice Bendrix (O Fim da Aventura, Graham Greene)
Michael Berg (O Leitor, Bernhard Schlink)

Newland Archer (A Idade da Inocência, Edith Wharton)

Principezinho (Principezinho, Antoine de Saint-Exupéry)
Pedro Bala (Os Capitães da Areia, Jorge Amado)

Quayle, Justin (O Fiel Jardineiro, John Le Carré)

Radion Românovitch Raskólnikov (Crime e Castigo, Fiódor Dostoievski)
Robert Kinkaid (As Pontes de County, Robert James Waller)

Sempere, Daniel (A Sombra do Vento, Carlos Ruiz Zafón)

Tom Joad (As vinhas da Ira, John Steinbeck)
Tomas ( A Insustentável Leveza do Ser, Milan Kundera)
Twist, Jack (O Segredo Brokeback Mountain, Annie Proulx)

Valjean, Jean (Os Miseráveis, Victor Hugo)

Watanabi, Tom (Norwegian Wood, Haruki Murakami)
Wickam, Mr (Orgulho e Preconceito, Jane Austen)
Winston Smith (1984, George Orwell)

Yury Zhivago (Doutor Jivago, Boris Pasternak)

Zezé (Meu Pé de Laranja Lima, José Mauro de Vasconcellos)
Zorbas (A História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar, Luis Sepúlveda)

Claro que esta lista não pretende ser definitiva e muito menos tradutora de tudo o que por aí se escreve e se lê.
No entanto, aqui fica lançado o mote. Aceitam-se sugestões que completem o abecedário, especialmente nas letras "I", "O", "U" e "X", aquelas que não conseguimos preencher!

Boas Leituras, Alcor e Mizar *

Os Bons Velhos Tempos!!!

Quem não se lembra de Enid Blyton?
Os livros do "Clube dos Sete" e especialmente os livros dos "Cinco" são parte integrante da minha colecção de livros e marcaram profundamente a minha infância. Passava horas agarrada aqueles pequeninos companheiros que ocuparam a minha mente e foram a companhia de uma Alcor sem irmãos e que inventava brincadeiras sozinha!
Aprendi muito com as Aventuras destes parceiros de infância... especialmente a sonhar e a imaginar locais fantásticos e pessoas maravilhosas com as quais tinha aventuras todas as férias de verão! Devem ser os livros mais lidos da minha biblioteca! E são claramente aqueles que mais recordações e alegrias me trazem, e que estimo com todas as forças do meu ser.
Enid Blyton não teve uma vida fácil. Com a separação dos pais, ficou com a mãe que não compreendia a sua paixão pela escrita. Para além disto, teve muitas dificuldades em públicar as suas primeiras histórias e os seus trabalhos foram negados durante anos. Foi depois de se formar como Professora, que começou a publicar na revista "Teacher’s World" e em 1922 publica o seu primeiro livro de poemas, começando assim a sua carreira como autora.
Escreveu muitas histórias, mas as de mistério e aventura foram as que tiveram mais sucesso!
Na sua autobiografia, escreveu como criava uma nova história. Nunca a planeava antes de a escrever na máquina. Somente a colocava nos seus joelhos, fechava os olhos e imaginava a história!
Enid morreu, em 28 de Novembro de 1968, vitima do que é hoje conhecida por Doença de Alzheimer, deixando mais de 700 livros escritos e perto de 5000 contos.
Esta é uma autora que terá sempre um lugar no meu coração. Apesar da diferença de décadas, os seus livros são intemporais e recordações para passar às gerações vindouras como o testemunho de uma existência simples , mas inesquecível!


Os Créditos da Biografia e das Imagens pertencem ao fantástico site Mistério Juvenil.

O Procrastinado

Sento-me ao computador, de pantufas e pijama e, pela primeira vez desde há algum tempo, dou-me ao luxo de descomprimir.

Vagueio o olhar pelo verde desta Constelação e perco-me em cada palavra e em cada frase que a minha querida Alcor aqui semeou na minha ausência. E colho este bela sensação de conforto e aconchego que não sei bem se me chegam da poesia de O'Neill, dos comentários certeiros de quem nos visita ou da delicada graciosidade com que escreve a Alcor.

Mudei de emprego, mudei de vida!

Um abraço desta vossa menos presente mas dedicada,
Mizar

A imagem é daqui.

Hoje apetece-me falar de uma prenda que recebi num destes Natais.
O presente mais bonito, mais simbólico e mais extraordinário que me deram até hoje, foi um carimbo. Sim, um Carimbo!
É sabido que gosto de livros. Amo livros. Sempre que tenho algum dinheiro disponível não compro roupa, ou sapatos: compro livros. É a minha mui pessoal paranóia!
Assim sendo, tenho uma pequena biblioteca (sim, pequena porque uns meros 250 livros, sem contar com as colecções de infância e adolescência, são apenas uma "pequena" biblioteca!).
O carimbo diz apenas: "Biblioteca Pessoal A.R.". Agora não tenho apenas uma colecção, mas uma Colecção Personalizada! Não foi tarefa fácil catalogar e organizar todos este livros. Mas foi o que fiz, na primeira semana do ano de 2006. Agora todos os livros que possuo tem o meu próprio carimbo que os distingue de todas as centenas de exemplares iguais!
Há pessoas que nasce dotadas daquilo a que se chama "visão". Aquela que me ofereceu o carimbo, nasceu com uma dose extraordinária de "Visão". (Aproveito e lanço aqui o desafio de dizerem qual foi a prenda mais extraordinária que receberam até hoje!)
E porque quem me ofereceu o carimbo foi a minha muito querida Mizar, tudo isto tem o objectivo de lembrar que Ela não desapareceu desta "Constelação". Simplesmente a sua vida está a atravessar mudanças que passam por não ter um computador à mão!
Estamos à tua espera!
M/W

(Con)Textos IV

Foi então que apareceu a raposa.
- Olá, bom dia! - disse a raposa.
- Olá, bom dia! - respondeu educadamente o Principezinho.
- Quem és tu? - perguntou o Principezinho - És bem bonita...
- Sou uma raposa - disse a raposa.
- Anda brincar comigo - pediu-lhe o Principezinho. - Estou tão triste...
- Não posso ir brincar contigo - disse a raposa. - Ainda ninguém me cativou...
- Ah! Então desculpa! - disse o Principezinho
Mas pôs-se a pensar, a pensar, e acabou por perguntar:
- "Cativar" quer dizer o quê?

-É uma coisa de que toda a gente se esqueceu - disse a raposa. - Quer dizer "criar laços"...

-Criar laços?

-Sim, laços - disse a raposa. - Ora vê:por enquanto tu não és mais para mim senão um rapazinho perfeitamente igual a cem mil outros rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Por enquanto eu não sou para ti senão uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativares, passamos a precisar um do outro. Passas a ser único no mundo para mim. E eu também passo a ser única no mundo para ti...

"Apenas vemos bem com o coração...o essencial é invisível aos olhos."

Balanço

Após 6 meses de existência (sim, é verdade, a Constelação fez ontem meio-aninho!), tal como nos governos, é imperativo fazer um balanço. Afinal, o que foi feito, o que foi lido, o que valeu a pena e o que mais valia ter ficado na prateleira!

O Objectivo deste Blog era impor um ritmo de leitura às suas criadoras! Apesar de gostarmos ambas de ler, com a vida quotidiana, às vezes é complicado continuar as tarefas a que nos propomos! Era também objectivo, partilhar opiniões e ideias com os outros Bloggers especialmente acerca de livros (e claro, de tudo o que os rodeia - escritores, filmes, música, etc, etc).

As Leituras:
-Norwegian Wood – Haruki Murakami (que eu ainda não acabei de ler!!!)
-Valete de Copas e Dama de Espadas – Joanne Harris (Sem Comentários!)
-O Leque Secreto – Lisa See
-O Cirurgião – Tess Gerritsen
-O Aprendiz - Tess Gerritsen
-Caffé Amore – Nicky Pellegrino (Sem Comentários!)
-Post Mortem – Patrícia Cornwell
-Corpo de Delito - Patrícia Cornwell
-Tudo o que Resta - Patrícia Cornwell
-A Pecadora – Tess Gerritsen
-A Filha do Capitão – José Rodrigues dos Santos (Que a Lady Mizar anda a ler)
-Codex 632 – José Rodrigues dos Santos
-Orgulho e Preconceito – Jane Austen
-Cruel e Invulgar - Patrícia Cornwell
-A Quinta dos Cadáveres - Patrícia Cornwell
-A Fórmula de Deus - José Rodrigues dos Santos
-A Vida Nova-Orhan Pamuk (Ainda ando encravada neste…não sei porque mas não estou a conseguir uma ligação com o livro!)
-O Cemitério dos Sem - Nome - Patrícia Cornwell
-Brokeback Mountain – Annie Proulx
-A Química da Morte – Simon Beckett
-Viagens na Minha Terra – Almeida Garrett

Conclusões:
Afinal gostamos mais de Policiais do que pensávamos!
Temos de começar a ler mais livros de autores portugueses!
A lista de livros para ler aumentou perigosamente neste seis meses!
A quantidade de números comprados também está a tocar nos limites do razoável!

Depois desta análise tão fria (especialmente porque hoje está a chover e de certeza que neva na Serra da Estrela!), só resta continuar a ler, a escrever, e a aproveitar uma das melhores coisas que a vida nos dá: a fantasia, o amor e a magia que encontramos nos livros!

A todos os que nos decidiram acompanhar nesta aventura um Obrigada com direito a vénia de teatro!


"Não sou do tamanho da minha altura mas da estatura daquilo que posso ver" Fernando Pessoa
Ler é a melhor maneira de aumentar a estatura daquilo que podemos ver, portanto Leiam!

O Jornal, a Revista de Domingo, as Revistas da farmácia, os folhetos que acompanham os medicamentos, a Dica da Semana (ok, esta talvez não!!!), ou mesmo os produtos que compõem o liquido com que limpam os balcões da cozinha. Vale tudo. O importante é ler.

No caso de realmente preferirem livros, aqui ficam duas sugestões para Downloads grátis (e legais!):

Dominio Público e Projecto Gutenberg

Boas Leituras!

Cometas e Eclipses Lunares para Todos!!!

Poesia

Segundo Ernest Hans Josef Gombrich, o mais célebre Historiador de Arte do século XX, "Nada existe realmente a que se possa dar o nome de Arte. Existem somente Artistas."
A razão para tal afirmação pode prender-se no facto da Arte ser um fenómeno Cultural. "As regras absolutas sobre arte não sobrevivem ao tempo, mas em cada época, diferentes grupos escolhem como devem compreender esse fenómeno." (Wikipédia)
As 7 Artes Tradicionais são: 1-Música (som), 2-Pintura (cor), 3-Escultura (volume), 4-Arquitectura (espaço), 5-Literatura (palavra), 6-Coreografia (movimento), 7-Cinema (o termo 7ª arte para designar o cinema foi dado por Ricciotto Canudo no Manisfesto das Sete Artes, por considerar que o cinema integra os elementos das artes anteriores).
A Poesia é uma das 7 Belas Artes Tradicionais, através da qual a linguagem humana é utilizada com fins artisticos.
Este post serve para honrar a "Palavra" (sem qualquer recurso às outras Artes), com um Poema de Alexandre O'Neill, que se chama precisamente "Há Palavras que nos Beijam" e que é por sua vez uma homenagem à Arte das Palavras:
Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.
Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.
De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.
(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)
Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.
M/W

(Con)Textos III

«Era uma pessoa soberana por dentro, e isso é muito raro hoje; ser independente, tanto em mulheres como em homens, é uma qualidade rara. Parece que não é uma questão de origem e de situação. Não era possível ofendê-la, ou colocá-la numa situação que a embaraçasse, não suportava as limitações, em nenhum sentido. E ainda sabia algo mais que é raro num carácter feminino: conhecia a responsabilidade dos seus próprios valores humanos. Lembras-te quando nos encontrámos pela primeira vez no quarto, junto da mesa ampla, onde estavam espalhadas as partituras e cadernos do pai: Krisztina entrou e o quarto pequeno e escuro, de repente encheu-se de luz. Não foi só a juventude que ela trouxe consigo, não. Trouxe também a paixão, o orgulho, a consciência soberana dos sentimentos incondicionais. Nunca conheci nenhuma outra pessoa que fosse capaz de responder tão plenamente a tudo o que o mundo e a vida lhe ofereciam: à música, a um passeio na floresta matinal, à cor e ao perfume de uma flor, à palavra sábia e justa duma pessoa. Ninguém sabia tocar num tecido fino, ou num animal daquela maneira, como a Krisztina. Não conheci ninguém que fosse capaz de se alegrar com as coisas mais pequenas da vida, como ela: pessoas e animais, estrelas e livros, interessava-lhe tudo, sem ser presunçosa, nem se armar em sabichona, mas aproximava-se de tudo o que a vida lhe dava e mostrava, com a alegria incondicional duma criatura que veio ao mundo para desfrutá-lo. Como se tivesse uma ligação íntima com todos os fenómenos do mundo, percebes?»
Sandor Márai, "As Velas Ardem até ao Fim"

É verdade, ainda cá estamos...

Não podiamos ir de férias sem antes dar esta notícia...


As novidades estão todas no site da Amazon, que já anda a vender o livro à meses...

Ai que emoção!!! Ai que alegria!!!

Mal podemos esperar!

(Con)Textos II

A melhor escrita, é aquela que consegue transmitir o que realmente se passa na alma de quem escreve. Daí que seja difícil escrever um bom texto, pois é complicado articular a velocidade do pensamento com a beleza do que se está a escrever.
O texto escolhido para estes (Con)Textos é um brilhante exemplo dessa articulação. Foi escrito por Miguel Sousa Tavares, a propósito da perda de sua mãe, a escritora e poetisa Sophia de Mello-Breyner:
"E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre."
É com este texto que a Constelação das Letras se despede para o Carnaval. As férias em lugares onde não há internet, podem dar a impressão de abandono, mas antes que este Blog tenha tempo de ganhar teias de aranha, nós vamos voltar, para continuar a revelar as Letras deste nosso Mundo.
Um abraço sentido a todos os que nos visitam!
Alcor & Mizar

Viajar

João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett, nasceu no Porto, no seio de uma família burguesa, em 1799.
Escritor e Dramaturgo romântico, Político e com uma grande intervenção no desenvolvimento cultural do País, Almeida Garrett escreve assim nas "Viagens na Minha Terra":
"Que viaje à roda do seu quarto quem está à beira dos Alpes, de Inverno, em Turim, que é quase tão frio como Sampetersburgo —entende-se. Mas com este clima, com este ar que Deus nos deu, onde a laranjeira cresce na horta, e o mato é de murta, o próprio Xavier de Maistre, que aqui escrevesse, ao menos ia até o quintal."

«O livro Viagens na Minha Terra, publicado em 1846, é o ponto de partida da moderna prosa literária portuguesa: pela mistura de estilos e de géneros, pelo cruzamento de uma linguagem ora clássica ora popular, ora jornalística ora dramática, ressaltando a vivacidade de expressões e imagens, pelo tom moralizante do narrador, Garrett libertou o discurso da pesada tradição clássica, antecipando o melhor que a este nível havia de realizar Eça de Queirós.

Mas a obra vale também pela análise da situação política e social do país e pela simbologia que Frei Dinis e Carlos representam: no primeiro é visível o que ainda restava de positivo e negativo do Portugal velho, absolutista; o segundo representa, até certo ponto, o espírito renovador e liberal. No entanto, o fracasso de Carlos é em grande parte o fracasso do país que acabava de sair da guerra civil entre miguelistas e liberais e que dava os primeiros passos duma vivência social e política em moldes modernos.» Fonte: Wikipédia
Aqueles, que tal como nós nunca foram "obrigados" a ler o livro na Escola, podem aproveitar agora, para conhecer estas Viagens, e disfrutar de um dos principais exemplos de Literatura Romântica Portuguesa. Os que o leram, também estão sempre a tempo de o recordar!
A Porto Editora disponibiliza a versão total do livro. (Biblioteca Digital)
Boas Leituras, desta vez, em forma 100% Nacional!

«Um dia li um livro e toda a minha vida mudou.» Orhan Pamuk

Fazendo minhas as palavras de Pamuk, hoje terminei o livro que mudou a minha vida!
A Fórmula de Deus, para além de ser a segunda oportunidade de Tomás Noronha, é um livro que pela sua simplicidade, explica aquilo que há muitos anos eu aspirava compreender. Uma das mais fantásticas professoras que tive na faculdade aconselhou-me a ler "O Universo Numa Casca de Noz" de Stephen Hawking. Apesar de ter o livro, nunca consegui ultrapassar as complicadas explicações de Hawking, por não ter uma formação no ramo cientifico. A razão para esta sugestão da professora deveu-se ao facto deste livro, apesar de complexo, revelar a evolução do pensamento cientifico e dar explicações para os temas da evolução da humanidade.
A Fórmula de Deus actua como a chave-mestra para descodificar as teorias que os leigos da Fisica se esforçam para compreender, mas acima de tudo, a explicação para a razão da existência do Homem!
Claro que o desabafo de tudo aquilo que sinto neste momento iria expor demasiado o conteúdo do livro o que acabaria por estragar a surpresa aqueles que ainda não o leram. Mas posso dizer que estou mais descansada! Depois de anos a questionar se o mundo estaria a tomar o rumo certo, agora tenho a certeza que está. Tudo está determinado, pois o derradeiro objectivo é a preservação da inteligência, que faseadamente apareceu no universo. E a inteligência uma vez presente arranja formas de se preservar.
Não há coincidências e muito menos sorte. Fazemos parte de um todo que funciona interligado por fios invisíveis e que está intimamente ligado com o destino do universo.
Agora sim posso dizer que acredito em Deus (Chamem-me close minded, mas é preciso acreditar em alguma coisa para aguentar a vivência diária!). Não no Deus antropomórfico da igreja católica (porque nesse nunca acreditei!), mas no Deus cientifico, no Deus natural, que se revela na constância e no inacreditável funcionamento deste Nosso Mundo.

Hoje sim, há luz! E apesar da chuva, apetece-me ir para o pátio, de braços abertos e olhos virados para o firmamento, girar que nem uma doida! A única coisa que me impede é, se o bater de asas de uma borboleta pode desencadear uma tempestade num local distante, nem quero imaginar o impacto da movimentação do ar causada pelo meu rodopio desvairado!

Medidas Desesperadas!

Face a acontecimentos preocupantes nos blogs daqueles q nos visitam (leia-se "Porque sim e Porque não"), resolvemos tomar medidas drásticas: estamos a copiar o blog para um documento de word.

Não podemos deixar morrer o nosso menino, a nossa criação, assim à vontade do ciberespaço!

(Con)Textos

Dentro do espirito literário deste Blog e face à necessidade de partilhar "algo mais" do que o que vem sendo escrito até agora, lançamos estes (Con)Textos.
(Con)Textos é uma rúbrica ao jeito de "quandocalhário" (Obrigada BR, Partes Infinitesimais), com a característica de apresentar aquilo que "fica de fora".
Ou seja, temos colocado sugestões de leitura e opiniões, mas alguns livros são tão ricos e alguns escritores têm vidas tão apaixonantes que é imperativo relatar esses parágrafos que podem mudar as nossas vidas, ou esses episódios biográficos que são exemplos de coragem e determinação.
E para inaugurar este novo espaço, que outro tema poderia ser escolhido que não o Amor, esse sentimento que nos preenche e que nos habita, transformando-nos naquilo que faz de nós Pessoas completas.

«Na vida, concluiria um dia, todos têm direito a um grande amor. Uns achá-lo-iam num cruzamento perdido e com ele seguiriam até ao fim do caminho, teimosos e abnegados, até que a morte desfizesse o que a vida fizera. Outros estavam destinados a desconhecê-lo, a procurarem sem o descobrirem, a cruzarem-se numa esquina sem jamais se olharem, a ignorarem a sua perda até desaparecerem na neblina que pairava sobre o solitário trilho para onde a vida os conduzira. E havia ainda aqueles fadados para a tragédia, os amores que se encontravam e cedo percebiam que o encontro era afinal efémero, furtivo, um mero sopro na corrente do tempo, um cruel interlúdio antes da dolorosa separação, um beijo de despedida no caminho da solidão, a alma abalada pela sombria angústia de saberem que havia um outro percurso, uma outra existência, uma passagem alternativa que lhes fora para sempre vedada. Esses eram os infelizes, os dilacerados pela revolta até serem abatidos pela resignação, os que percorrem a estrada da vida vergados pela saudade do que poderia ter sido, do futuro que não existiu, do trilho que nunca percorreriam a dois. Eram esses os que estavam indelevelmente marcados pela amarga e profunda nostalgia de um amor por viver.
A vida é realmente um caldeirão de mistérios, a começar pelos mais simples, pelos mais ingénuos e inocentes, por aqueles que estão na génese da nossa existência.»

Pelas palavras de José Rodrigues dos Santos, no livro "A Filha do Capitão", Gradiva.

O Poema

Não é nosso hábito, neste espaço, transcrever poemas. Mas poderia eu, deixar de cá partilhar esta Via Láctea de Olavo Bilac?

«"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."»

A imagem, tirei daqui.

Simon Beckett é um autor que rapidamente mobilizou a tenção de um público internacional com este seu primeiro thriller, A Química da Morte, protagonizado por um especialista em antropologia forense.

Após a perda da mulher e da filha de seis anos, David Hunter escolhe refugiar-se numa aldeia isolada de Norfolk, a tratar dos vivos, tentando esquecer a sua tragédia pessoal. Simon Beckett, numa escrita trnsparente e liberta de lugares comuns, recorre a um cenários propício ao desenrolar da intriga arrepiante: terrenos pantanosos, sol escaldante, e uma pequena comunidade a viver naquele isolamento… Quando os corpos começam a aparecer, a polícia local, conhecedora do passado profissional de Hunter irá inevitavelmente ter com o novo médico da aldeia. Os seus conhecimentos de medicina forense tornam-se indispensáveis para ajudar a revelar os segredos que aqueles corpos ocultam.

"Um corpo humano inicia a sua decomposição qutro minutos após a morte. O corpo, outrora o invólucro da vida, sofre então as suas derradeiras metamorfoses. Começa a digerir-se. As células dissolvem-se de dentro para fora. Os tecidos liquefazem-se, primeiro, e gaseificam-se, depois. Já sem estar animado, o corpo torna-se banquete imóvel para outros organismos. Primeiro as bactérias, depois os insectos. As moscas. Os ovos são depositados e depois eclodem. As larvas alimentam-se do rico caldo de nutrientes; em seguida migram. Abandonam o corpo de um modo ordeiro, umas atrás das outras numa procissão que se dirige sempre para sul. Sudeste ou Sudoeste, por vezes, mas nunca para Norte."

Fonte: Beckett, Simon (2006).A Quimica da morte.Editorial Presença

Livros em Saldo

No sábado passado fomos, finalmente (e mesmo a tempo porque era o dia de encerramento), ao Mercado do Livro, no Mercado Ferreira Borges, no Porto. Eu a minha querida Alcor, de olhos febris a calcorrear os molhos de livros, a afagar lombadas e a ler sinopses. Foi um regalo para os olhos e para a carteira... A Alcor trouxe "O Cego de Sevilha" de Robert Wilson e eu o "Middlesex" de Jeffrey Eugenides. Cada um a 5€, em vez dos 24,40€ e 24,95€, respectivamente a que estão a ser vendidos nas lojas.
Eu estava sempre a ver quando é que ouvia uma voz esganiçada: "Venha fresguesa... escolha! É p'ra acabar!"
Estrelas cadentes para todos e boas leituras!
Mizar

Três considerações a propósito da Fórmula de Deus de José Rodrigues dos Santos:

1. Confesso que gosto dos chamados livros de leitura fácil. Gosto de um livro que se leia a um ritmo agradável, que esteja escrito com uma linguagem simples e que conte uma boa história, em particular quando esse livros para além de entreter também ensina.

2. Mais do que escritor ou jornalista, José Rodrigues dos Santos é um bom professor. Ainda que o veículo da informação, Tomás, seja um Indiana Jones à Portuguesa (mais polido que no Codex 632), a obra em questão tem uma dupla função – de entretenimento e pedagógica – e soa como um repto ao interesse pela matemática e física. Com palavras simples e exemplos ilustrativos são descritas teorias científicas de um modo acessível e com o rigor esperado: o Big Bang e o Big Crunch, o Gato de Shrödinger, os Teoremas da Incompletude de Gödel, entre outras.

3. A amalgama de tiroteio, códigos e cifras, relações humanas, prisões iranianas e paisagens tibetanas são o pano de fundo desta história que surpreende pela possíbilidade que apresenta de intrincar teorias e cadeias de acontecimentos de várias áreas de conhecimento de uma forma tão complexa e credível.

O livro pode ser simples, a leitura pode ser fácil. Pois eu gostei muito!
Boas leituras,
Mizar

O Mapa tirei daqui.

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