Blogger Template by Blogcrowds

Curiosidades nos Livros IV

Na leitura do livro "A Papisa Joana" de Donna Woolfolk Cross encontrei duas passagens muito engraçadas, que decidi partilhar com vocês aqui na Constelação.

A primeira passagem que escolhi refere-se a um momento alto de humor, que não tenho o prazer de encontrar muito nos livros. Achei simplesmente deliciosa!

«Ele tivera de estudar como um escravo para aprender as formas latinas e decorar os capítulos das regras. Mas o que faltava a Tomás em brilhantismo tinha ele em persistência e no esforço que dedicava às práticas piedosas. Quando terminava as refeições, tinha o cuidado de poisar a sua faca e o seu garfo perpendicularmente, em homenagem à Santa Cruz. Nunca bebia o seu vinho de uma vez, como os outros, mas em três goles de cada vez, reverentemente, numa piedosa ilustração do milagre da trindade.»

A segunda, acaba por se enquadrar na velha máxima "mais do mesmo". Mas não resisto a colocar aqui mais uma contradição que persegue a Igreja Católica desde os primórdios da sua existência: ser usada como moeda de troca!

«-O meu senhor diz que ele (o Rei deposto) até se manifestou aberto aos saxónios, oferecendo-lhes a possibilidade de voltarem a adorar os seus deuses pagãos se estivere dispostos a lutar por ele.»

As Traduções

Ler um livro traduzido da lingua em que foi escrito, não deixa de ser, a leitura de uma interpretação do que foi escrito originalmente.

A tradução ainda não é uma ciência exacta! Cada pessoa (comparando pessoas com experiências semelhantes na tradução), traduz uma frase de determinada maneira. A maneira como foi escrito e o modo como é traduzido depende de muitos factores, nomeadamente da experiência do tradutor com a lingua em questão, da linguagem empregue pelo escritor, entre outros de igual relevância.

Esta questão foi levantada por Nuno Rogeiro, no programa Sociedade Das Nações, que passa na Sic Notícias aos Sábados. O comentador recomendou um livro chamado "América a Bem ou a Mal", de Anatol Lieven, cujo nome original é "America Right or Wrong". Como Nuno Rogeiro salientou (e com toda a certeza os caríssimos concordam!), o livro deveria chamar-se "América, Certa ou Errada". Tal não acontece, por causa de uma tradução. Uma má tradução.

Não é que um livro faça a diferença. Mas quantas coisas não nos passam ao lado, por não termos a oportunidade ou a paciência para lermos o livro na versão original!

A Papisa Joana

«A autora reuniu, numa perfeita combinação, aspectos lendários com factos históricos do qual resultou um romance sobre Joana de Ingelheim. Filha de um missionário inglês e de uma mãe saxónica, Joana, nascida a 814, sente-se frustrada pelas limitações impostas à sua vida pelo simples facto de ter nascido com o sexo errado. O seu irmão Mateus começou a ensiná-la a ler e escrever quando Joana contava apenas seis anos. Com a sua morte, Joana recorre a toda a sua astúcia e capacidade de ludibriar de modo a continuar a dar largas à sua paixão pelo saber. Mais tarde, Joana foge de casa para seguir os passos do seu irmão João, a caminho da escola religiosa na Catedral de Dorstadt, onde ela se torna a única presença e estudante feminina tolerada. É quando surge Geraldo, e a vida de Joana muda ao aperceber-se de que o ama. No entanto, o seu amor é-lhe interditado pelas maquiavélicas manobras de Ritschild. Usando as roupas e identidade do irmão, depois deste ter sido chacinado durante um ataque normando, Joana foge e entra para o mosteiro de Fulda, onde ela se passa a denominar, depois de feitos os votos primordiais, João Anglicus. Trilhando o caminho de monge a padre, enquanto apurava o seu conhecimento e técnicas de cura, Joana começa a traçar a sua rota direita a Roma, onde os seus dons lhe abrem caminho para se tornar confidente e físico curador dos dois papas. É nos meandros de várias intrigas políticas no meio eclesiástico que Joana, ela própria, ascende ao posto de pontífice máximo da Igreja Católica. A Papisa Joana resulta numa fabulosa e vívida recriação do período por nós conhecido como a Idade das Trevas.»

Almas ao Entardecer

Este ano, numa das muitas feiras do livro em saldo, comprei dois contos de Edith Wharton, a escritora de livros como "A Idade da Inocência" e "A Casa da Felicidade", ambos transformados em filme.

"Almas ao Entardecer" é um pequenino conto, muito ao género das obras referidas. Retrata um casal de americanos, em fuga da América. Ela, ainda casada, escolheu outro homem para alcançar a sua felicidade. Ele, solteiro, fugiu com uma mulher casada.
Ambos são alvo de repúdio da sociedade onde pertencem. No entanto, sentem falta dessa mesma sociedade de onde fugiram.

Um livro bastante interessante, que em meia-dúzia de linhas consegue simplificar aquilo com que nos deparamos todos os dias: a fuga da normalidade e do quotidiano, é apenas uma maneira de fugir dos problemas, porque no fundo, não sabemos viver de outra maneira. Além disso, esta fuga não se suporta para sempre, apesar daquilo que possamos pensar quando a iniciamos!

Para além de tudo isto, Edith Wharton demonsta de modo fabuloso as poucas escolhas que as mulheres tinham apenas há 100 anos atrás! Para nós, que vivemos num mundo de escolhas e de completa liberdade, chega a ser chocante imaginar como seria se assim não fosse!

«Para onde iria ela? Qual seria a sua vida quando o tivesse deixado? Ela não tinha parentes chegados e poucos amigos. Pensou nela como se estivesse a andar descalça sobre gravilha.» Edith Warthon, Almas ao Entardecer

The English Patient

«Nos últimos dias antes de estalar a guerra, fora pela última vez ao Gil Kebir, desmontar o acampamento de base. O marido dela ficara de o ir buscar. O marido que ambos amavam até terem começado a amar-se um ao outro. Clifton partiu com destino a Uweinat no dia marcado, sobrevoando o oásis perdido tão rente ao chão que as folhas das acácias se espalharam, esfaceladas, na esteira da avioneta, o Moth a rasar as depressões e as falhas do terreno - enquanto ele, no cimo da alta escarpa, fazia sinais ao piloto com uma lona azul. Depois o avião descreveu uma curva descendente e veio direito a ele, despenhando-se no solo, a cinquente jardas de distância. Um coluna de fumo azul subiu em volutas do trem de aterragem. Não chegou a haver chamas. Um merido tresloucado. A ânsia de os matar a todos. Matar-se a si e à mulher - e a ele também, deixando-o encurralado no deserto. Só que ela não estava morta. Ele pegou no corpo inerte, libertando-o das garras retorcidas do avião, das garras do marido.» O Paciente Inglês, Michael Ondaatje

Um dos filmes mais maravilhosos, e um dos livros mais lindos de todo o sempre.
Fica aqui o trailer, para quem quiser ver, ou rever.

1 Ano


A Constelação faz hoje um ano.
Foi há 365 dias que começamos, numa noite de concretização de um sonho: partilhar opiniões acerca de livros.

Claro que sem vocês, não teria sido possível. Agradecemos a todos os que nos visitam e que partilham as ideias e opiniões que fazem deste blog, um blog do mundo. Um lugar interactivo onde podemos dar e receber.

50 livros e 151 posts depois, só posso desejar que o próximo ano seja tão bom quanto este!

Curiosidades nos livros III

Quem ao longo da sua infância não brincou aos piratas, ou mesmo aos vendedores de feira???
Ou então, numa versão mais moderna, aos Power Rangers no pátio da escola? (Eu brinquei muitas vezes!!!!!!)

Durante a leitura das Memórias da Cleópatra, encontrei uma passagem demasiado linda para não a publicar!

«Brincamos às escondidas entre o junco e fingimos ser Hórus a atacar o demoníaco Set nos pantanais de papiro, perturbando os patos e os martins-pescadores.»

Desta nunca me lembrei!

Dava um bom nome para um livro... mas só me estou a referir ao Senhor do Círculo de Leitores, que passou aqui hoje para entregar os meus pedidos.


Não tenho lido muito ultimamente... quero saber onde vou buscar o tempo agora!!!

Boas Leituras!

(Con)Textos XI

«-Comecemos com esta ideia.-disse Morrie- Toda a gente sabe que vai morrer, mas ninguém acredita nisso. Se acreditássemos, faríamos as coisas de modo diferente.

Então iludimo-nos quanto à morte, disse eu.
-Sim. Mas há uma abordagem melhor. Saber que se vai morrer, e estar preparado para isso a qualquer momento. É melhor. Desta maneira podes estar mais envolvido na vida enquanto estás vivo.
-Como podes alguma vez estar preparado para morrer?
-Faz como fazem os Budistas. Todos os dias, tens um passarinho no teu ombro que te diz: " É hoje o dia? Estou pronto? Estou a fazer tudo o que preciso de fazer? Estou a ser a pessoa que quero ser?".
É verdade Mitch:- Uma vez que tenhas aprendido a morrer, aprendes a viver.» As Terças com Morrie, Mitch Albom

Apesar de ser um pensamento que recalcamos constantemente, é uma das únicas verdades absolutas: Todos vamos morrer (pelo menos fisicamente!).
Acolher essa ideia na nossa mente, apesar de parecer mórbido, ajuda-nos a dar valor ao que temos, ao invés de ficarmos tristes pelo que não podemos ou desejariamos ter.
E se calhar somos senhores do mundo e não sabemos!

Fonte Imagem

Ponto de Origem

«Kay Scarpetta, médica-legista chefe da Virginia regressa em mais um episódio da sua luta contra o crime.
Alguém com quem tinha privado durante um certo tempo no seu passado, e que afinal se tinha revelado uma perigosa e astuta serial killer, volta a ensombrar a sua vida. Agora internada numa instituição psiquiátrica, e passados cinco anos, Carrie envia uma mensagem críptica, cujo ameaçador significado a investigadora e o companheiro, Benton captam plenamente.
Uma série de estranhos crimes mascarados por fogos postos revelar-se-á como um cerco tenebroso que se aperta em torno de Scarpetta e daqueles que ela mais ama, culminando tragicamente num dos acontecimentos mais dolorosos da sua vida.

Patricia D. Cornwell atinge o seu melhor no tratamento do factor complexidade das personagens e na mestria com que entrelaça o enredo policial com as histórias pessoais.
A qualidade muito própria da sua escrita de invade de forma empolgante toda a narrativa, criando situações cheias de vivacidade que resultam fortemente apelativas para o leitor.»
Fonte: Webboom

PS- Sim, esta capa mete mesmo medo!!!

O nome do nosso Blog escrito com caracteres Egípcios

Podem fazer o vosso aqui.

Top 10

O top 10 das histórias românticas:

1º- O Monte dos Vendavais, Emily Brontë (1847)
2º- Orgulho e Preconceito, Jane Austen (1813)
3º- Romeu e Julieta, William Shakespeare (1597)
4º-Jane Eyre, de Charlotte Brontë (1847)
5º-E Tudo o Vento Levou, Margaret Mitchell (1936)
6º-O Paciente Inglês, Michael Ondaatje (1992)
7º-Rebecca, Daphne du Maurier (1938)
8º-Doutor Jivago, Boris Pasternak (1957)
9º-O Amante de Lady Chatterley, DH Lawrence (1928)
10º-Longe da Multidão Insana, Thomas Hardy (1874)

Como podemos confirmar, o amor é intemporal. Desde sempre se escreveram histórias de amor, e de certeza que muitas mais serão editadas com sucesso.
Dos 10 livros, já li 4 (sim, a verdade é que sou uma romântica incurável... um caso perdido!): O Monte dos Vendavais, O Orgulho e Preconceito, O Paciente Inglês e a Rebecca.

Boas Leituras!

PS- Recomendo o Orgulho e Preconceito, que como todos sabem é o meu romance preferido... digam lá as votações o que disserem!

«Escritas na primeira pessoa, As Memórias de Cleópatra começam com as suas recordações de infância e vão até ao seu glorioso reinado, quando o Egipto se torna num dos mais deslumbrantes reinos da Antiguidade. As Memórias de Cleópatra são uma saga fascinante sobre ambição, traição e poder, mas também são uma história de paixão.
Depois de ser exilada, a jovem Cleópatra procura a ajuda de Júlio César, o homem mais poderoso do mundo. E mesmo depois do assassinato daquele que se tornou o seu marido, e da morte do segundo homem que amou, Marco António, Cleópatra continua a lutar, preferindo matar-se a deixar que a humilhem numa parada pelas ruas de Roma.
Na riqueza e autenticidade das personagens, cenários e acção, As Memórias de Cleópatra são um triunfo da ficção. Misturando História, lenda e a sua prodigiosa imaginação, Margaret George dá-nos a conhecer uma vida e uma heroína tão magníficas que viverão para sempre.»

Fonte: Saída de Emergência

Acompanhei a série "A Ferreirinha" na RTP1 com a maior das atenções. A história era deliciosa, as personagens estavam muito bem caracterizadas e as interpretações fabulosas. Foi, a meu ver, a melhor série portuguesa dos últimos tempos.
Comprei a "Fúria das Vinhas" porque Francisco Moita Flores interliga elementos da série com outra história. A história de um assassino e do bacharel que o vai perseguir pelos socalcos do Douro.
Se a série televisiva é genial, o livro não lhe fica atrás. Aliás, é um dos melhores livros que li nos últimos tempos, e não têm sido assim tão poucos como isso. As minhas expectativas eram altas, mas foram claramente superadas.
Francisco Moita Flores fez uma coisa absolutamente surpreendente e inovadora: confrontou uma investigação criminal nos primórdios da sua existência (e toda a inovação que acarreta), com o conhecimento do povo e as reticências desse povo em evoluir e em aceitar a ciência. O facto do livro se passar no Douro ajuda à trama. São cidades e aldeias, muito pequenas, onde o presidente da câmara é também o barbeiro, e o médico ainda receita mezinhas. São as bruxas e as superstições. São os boatos e os contos e ditos das vizinhas.

Tudo isto entra em choque com a personagem de Vespúcio Ortigão. Versado em Direito, cita Teófilo Braga e Voltaire. Contrariando todos os dados adquiridos das gentes do Douro. Falava em autópsias e estetoscópios. Em Deus e no Diabo na mesma medida. Era um herege. Um "maluquinho", que tinha ficado afectado por tanto estudo e leitura.

E claro, depois temos a Ferreirinha. Uma Mulher, que ousou fazer frente a tudo e a todos e que nunca perdeu o amor às suas terras e à sua gente mesmo apesar das contrariedades. Antónia Adelaide Ferreira colocava o Douro e a sua gente à frente de tudo. Teve de lutar contra as pragas das vinhas (especialmente contra a Filoxera, que quase destruiu o vinho do Porto), filhos gastadores e pouco dedicados à mãe e ao Douro, o Governo (que do alto da sua importância não a queria deixar estender a zona demarcada do Vinho do Porto) e claro, contra a ignorância das pessoas e a sua falta de confiança.
A Ferreirinha foi, sem sombra de dúvidas, uma das pessoas mais importantes e fascinantes do nosso país. Foi uma Mulher diferente do seu tempo. Uma mulher que não teve medo de lutar pelas suas convicções, e que salvou aquilo que é hoje uma das nossas maiores e mais representativas imagens: o Douro e o Vinho do Porto.
Antónia Ferreira mereceu este livro. E Portugal também. Representa a antítese máxima daquilo que continua a vigorar na nossa sociedade: o conhecimento e a ciência contra as crendices do povo. Ainda hoje estamos parados. Ainda hoje negamos o conhecimento, e só o aceitamos quando somos obrigados à custa de multas e certificações.

Um livro maravilhoso, de um autor muito "nosso" e que fala de nós, e do nosso passado tão presente... como se a única coisa que tivesse mudado fossem os cavalos em troca de motores.
Como se costuma dizer na minha terra: "Ponho as mãozinhas no fogo por este livro". Leiam, e garanto que não se arrependem!

A Fúria das Vinhas

« Este romance recupera factos e histórias que Francisco Moita Flores não incluiu na série que escreveu para a RTP com o título A Ferreirinha. Narra a epopeia da luta contra a filoxera, uma praga que, na segunda metade do século XIX, ia destruindo definitivamente as vinhas do Douro. Na mesma altura em que, por toda a Europa, surgiam as primeiras técnicas e tentativas de criação de um método para a investigação criminal.
Moita Flores criou um bacharel detective – Vespúcio Ortigão – que, na Régua, persegue um serial killer, confrontando-se com o medo, com as superstições, com as crenças do Portugal Antigo que, temente a Deus e ao Demónio, estremecia perante o flagelo da praga e dos crimes. É uma ficção, é certo, mas também um retalho de vida feita de muitos caminhos que a memória vai aconchegando conforme pode.»

Não resisto a colocar aqui uma citação que prova que a evolução do conhecimento é realmente uma coisa maravilhosa!

«-Embora no seu caso tenha de haver cautela. Esta gripe pode também surgir como sinal de Morbus Litteratorum.
-O quê?
-Uma doença que ataca pessoas que estudam ou escrevem em excesso. Os humores precipitam-se, o espírito descontrola-se e os orgãos perdem a vitalidade. Foi a doença que vitimou Pascal, que antecipou a morte de Mozart e de muitos outros iluminados. É uma doença que é um castigo directo porque quem se apaixona pelo saber até aos limites da cegueira não cumpre o respeito que merecem dias santos e festas de guarda, absorvido pelo entusiasmo que mais não é do que o sintoma maior da doença.»

Delicioso!

Condenados à Partida

«Relapsa, uma palavra fatal. Significava uma alma que aceitara Cristo, apenas para O rejeitar mais tarde; o abominável "pecado contra o espírito santo", que nem a igreja nem deus podiam perdoar. Uma vez pronunciada a palavra relapsa, seguir-se-ia uma execução.»

Terminei o livro "No Tempo das Fogueiras" de Jeanne Kalogridis. A autora evoca um tempo do qual pouco conhecemos mas que apaixona pelo modo de vida e de pensamento: a Idade Média. A história acontece no ano de 1357, quando Sybille, uma Abadessa com estranhos poderes de cura, é aprisionada para ser queimada como herege.

O irmão Michel (escrivão a quem Sybille cona a sua história) acredita na sua inocência, mas a ordem do Bispo não deixa margem para dúvidas: a herege tem de ser queimada na fogueira. E não quer provas da sua inocência.

Um livro que evoca a Inquisição, a Guerra dos 100 anos e a peste, que juntas mataram milhares de pessoas. Um livro que fala de um culto não aceite pela Igreja Católica: o Culto da Deusa. E que nos leva a descobrir uma Raça que tem de ser preservada a todos os custos: os Homens que adoram a Deusa e que não podem deixar esquecer a sua poderosa mensagem.

Um livro curioso e muito pormenorizado, com um final muito surpreendente, sobre um tempo que queremos esquecer, mas que faz parte da nossa história. Um livro que nos lembra que para podermos seguir em frente, temos de superar os nossos medos, pois só assim podemos ser suficientemente fortes para atingir a perfeição...mesmo que os outros não queiram que o façamos, e mesmo que o caminho seja pedregoso.

Este Fim-de-semana tive o prazer de visitar uma das bibliotecas mais antigas e mais importantes deste País: a Biblioteca Joanina, na Universidade de Coimbra.
Foi mandada edificar por D. João V e ficou concluida entre os anos de 1717 e 1728. Alberga 200 mil volumes, 40 mil dos quais só no piso nobre (o que pode ser visitado). As colecções datam dos séculos XVI, XVII e XVIII e representam na sua maioria o que de melhor havia na Europa culta daquele tempo. Com a devida justificação, um investigados pode consultar os livros, sendo que eles são retirados pelos funcionários e levados para a Biblioteca Geral.

A preservação dos exemplares é a principal preocupação, mas o próprio edifício foi construído de maneira a que os livros estivessem cuidadosamente guardados.
-As paredes exteriores têm espessura de 2 metros e 11 centímetros e a porta é de Teca, o que ajuda a manter uma temperatura constante entre 18 a 20 graus centígrados.
-O facto do interior da biblioteca estar todo revestido a madeira, permite uma taxa de humidade relativa de 60%, o que contribui para a estabilidade do ambiente.

Resolvidos os problemas da temperatura e da humidade, falta-nos os insectos. Os papirógrafos (insectos que comem papel) são um problema grave no que diz respeito à conservação de livros antigos. Para proteger os volumes, existem duas defesas:
-As estantes são de Carvalho, que é uma madeira bastante resistente e densa o que dificulta a entrada dos bichos, e para além disso exala um odor que os repele!
-Para além disso, no interior desta fantástica biblioteca, existe uma colónia de morcegos. Sim, leram bem: MORCEGOS! As mesas da biblioteca são protegidas todas as noites (porque são também antiguidades!), e os morcegos circulam livremente, comendo os insectos que ainda resistirem.

Vale a pena visitar. É um autêntico templo literário!

Porque isto dos blogs é como andar na rua. Queremos andar bem-vestidos para nos apresentarmos bem a todos os que passam!

E por isso inventaram os templates! Para andarmos "bem-vestidos" na blogosfera!

Mas ao contrário do que se diz por aí, não é só "copiar e colar"! Felizmente que podemos contar com os amigos!

Por isso, manifesto o meu agradecimento à Canochinha (Espaço Rosa, Beicinho, Estante de Livros) e ao Chateaufiesta (Beicinho), pela paciência e pela preciosa ajuda que me deram a "vestir" a Constelação.

Espero que gostem! Eu, sem falsas modéstias, estou regalada!

No Tempo das Fogueiras

«Transportando o leitor para a França do séc. XIV, terra fértil em hereges, Jeanne Kalogridis conta-nos a história de Sybille, uma rapariga com estranhos e inexplicáveis poderes.Como se não bastasse a Guerra dos Cem Anos e a terrível Peste Negra, a Inquisição acende dezenas de milhares de fogueiras para queimar hereges. E quando a avó de Sybille é torturada e queimada, só lhe resta fugir para um convento. Os seus dons de cura e premonição permitem-lhe subir na hierarquia da Igreja e na admiração do povo que a adora como uma santa.
Mas, aos olhos do Papa, Sybille é uma ameaça e uma bruxa que tem de ser atirada ao fogo. Quando é presa, cabe ao jovem inquisidor Michel interrogá-la. Este agradece a Deus a sua sorte, pois sempre acreditou na santidade de Sybille e assim poderá salvá-la. Mas quando ela lhe conta a sua história, toda a fé do jovem ameaça ruir. Para piorar, de dia sofre pressões para a queimar, e de noite arde de desejo por ela.»

Fonte: Saída de Emergência


Embrenhei-me completamente neste livro, ao ponto de o ler quase de um fôlego. Mais uma vez Joanne Harris cria um livro cheio de cor e sabores que nos deixam inebriados. Ler os Cinco Quartos de Laranja é como ficar submergido numa poça de alperce e framboesa, um consolo para os sentidos. A ideia de nos conquistar com receitas deliciosas já não é nova na autora, mas é sempre bem-vinda.

«A minha mãe tinha uma paixão por todos os frutos excepto laranjas, que sempre se recusou a ter em casa. Baptizou cada um de nós, aparentemente por capricho, com nomes de frutas e receitas – Cassis, como o seu espesso bolo de groselha preta; Framboise como o seu licor de framboesa; e Reinette como a sua tarte de rainhas-cláudias segundo o nome das ameixas reine-claude que cresciam contra a parede sul da casa, rechonchudas como uvas e xaroposas de vespas a meio do verão.»

Uma mãe viúva, aparentemente fria e seca, 3 filhos pequenos, numa pequena terra no Vale do Loire, em França, são os elementos principais da história.
É Framboise, a filha mais nova, que nos conta a história muitos anos depois dela ter acontecido. Esta foi uma família destruída pelos mal-entendidos e pela convenções estabelecidas. Uma mãe que nunca mostrou amor aos filhos, apesar de virmos a saber que intimamente não pretendia ter-se comportado assim. Os filhos que acabaram por se afastar à custa do rancor que por ela sentiam, especialmente a mais nova, que chegou muitas vezes a vingar-se do comportamento da mãe à custa de um pormenor curioso.
Mirabelle sofria de enxaquecas. Durante estes ataques sentia um acentuado cheiro a laranjas que a deixava indisposta e completamente desvairada. Normalmente deitava-se e deixava os filhos entregues a si. A pequena Framboise, assim em jeito de vingança e também de necessidade (para ir ao cinema com os irmãos!) escondia saquinhos com cascas de laranja, para induzir os ataques da mãe, de modo a ficarem livres!

E é assim, no meio de receitas e de ataques de migraine, de uma caça ao “velho” um lúcio que era conhecido por atrair desgraça, e do envolvimento com um soldado alemão Tomas Leibniz, que se desenrola a história.
Só muitos anos mais tarde é que percebemos porquê que a família caiu em desgraça em Les Laveuses e só nesse momento é que Mirabelle se revela mostrando o modo como salvou os filhos, se bem que nunca se tenha redimido completamente.

É um livro que nos lembra o poder do amor e da amizade, e que nos mostra que devemos ter muito cuidado com aquilo que desejamos, porque pode mesmo tornar-se verdade.

Mensagens mais recentes Mensagens antigas Página inicial